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quarta-feira, 8 de abril de 2015

OPINIÃO - O cinema e o combate ao câncer - Escrito por Victor Bertão

Posted by Pasteleiro On 14:00 0 comentários

Segundo dados divulgados pela OMS, no final do passado, em 2013 o número de pessoas que foram diagnosticadas com câncer somou mais de 14 milhões.

Além disso, as projeções, que também foram anunciadas, apontam que, se nenhuma medida imediatista for tomada, em 2030 os casos de pessoas diagnosticadas com câncer somarão em torno de 26 milhões. Isso é, o câncer que já não é um fator raro, se tornará, infelizmente, de fato algo comum. Assim, um indivíduo diagnosticado hoje com câncer já não é mais visto como um predestinado escolhido e assim, alguém especial, mas apenas mais um dentre milhões que sofrem desse grande mal contemporâneo. Dessa forma, àqueles que já conviveram de perto com a doença ou a conhecem bastante bem, convém a afirmação de que um câncer não torna ninguém especial ou de destaque num mundo de bilhões de pessoas, mas faz com que tudo passe a ser visto sob uma nova perspectiva em que valores são atribuídos às coisas que realmente parecem ter a importância necessária que conduza o diagnosticado ao desejo de se curar e seguir vivendo plenamente.




Um câncer não é um personagem de uma história, apenas um agente que conduz a uma nova ,e por vezes inesperada, linha narrativa. E é exatamente neste ponto que filmes que abordam a temática ‘câncer’ são qualificados e diferenciados por produções boas ou produções ruins.
Exemplo de destaque é o ótimo, e injustiçado, 50/50, com Joseph Gordon-Levitt e Seth Rogen, que não apenas faz do câncer um mero agente necessário à condução do roteiro, como dosa perfeitamente a comédia com o drama, sem exageros, contudo promovendo na medida certa a empatia necessária no espectador de forma que esse não apenas entenda, mas sinta a perspectiva que é vivida pelo personagem de Levitt. Algo divertido, à primeira vista bastante leve, porém que gradativamente vai se apresentando maturo e reflexivo sem se mostrar em momento algum melodramático. Não se fala de câncer, mas da vida e seus altos e baixos.





É o caso também de Um Amor Verdadeiro, com a sempre excelente Meryl Streep. Uma história que se utiliza do câncer para falar de relacionamentos familiares e as individualidades de cada um. Em que, apesar de se manter no drama, em momento algum faz sensacionalismo da doença e suas consequências, mas apenas foca nas novas perspectivas apresentadas. Com um elenco de química bastante notável, e diálogos perfeitamente bem escritos e interpretados. Característica essa que pode ser muito bem aplicada a filmes que venham a tratar, inclusive, do câncer infantil, como é o caso do incrível e memorável O Cavaleiro dos Quatro Diamantes, cuja premissa apontava para mais um melodrama carregado de sensacionalismo; contudo, utilizando do artifício da metáfora, a Disney não somente utilizou-se da temática câncer apenas para se conduzir uma narrativa, como promoveu um diferente, admirável e real conto de fadas de se encher os olhos.




Infelizmente, é fato que a maioria dos filmes que abordam o tema câncer tendem ao sensacionalismo piegas e fazem da doença um poderoso elemento para se levar espectadores ao choro e ao fim atribuírem à produção um valor maior ao que de fato se apresento ali. É o caso de dezenas dentre as quais estão Uma Prova de Amor, Pronta Para Amar, o fenômeno A Culpa é das Estrelas, e diversas adaptações dos romances de Nicholas Sparks que fazem do câncer não somente um personagem principal, mas um fator determinante e necessário ao desfecho da trama.

Mas como acontece com todas as temáticas, os trabalhos notáveis e bem feitos, apesar de se mostrarem em menor quantidade, estão também ali, e assim como o câncer promove, nos fornecem uma nova perspectiva de elementos e fatores pelos quais vale a pena continuar e se seguir acreditando.
Na vida.

No roteiro e desenvolvimento de um bom filme.

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